terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Pílulas de Raciocínio Lógico (4)

"Se você quer ir mais rápido, vá sozinho; se quiser ir mais longe, vá acompanhado." [Provérbio africano]

Raciocínio Dedutivo versus Raciocínio Indutivo

[Trecho do Hino do Rio Grande do Sul]
Prezados,

Recebo, frequentemente, perguntas do tipo:

"O que é Raciocínio Dedutivo?"

"O que é Raciocínio Indutivo?"

"O que é Inferência?"

Tentarei explicar usando uma linguagem simples e metáforas. Caso as dúvidas persistam, peço que deixem comentários e sugestões no final deste post. Desde já agradeço pelas valiosas contribuições que tenho recebido!

1. Raciocínio Dedutivo

O raciocínio dedutivo (ou argumento dedutivo) é aquele no qual as premissas fornecem um fundamento definitivo da conclusão. Em outras palavras, numa dedução é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa. Num raciocínio dedutivo a informação da conclusão já está contida nas premissas, de modo que se toda a informação das premissas é verdadeira, a informação da conclusão também deverá ser verdadeira.

Exemplo: 

Uma pessoa deseja preparar um bolo, e, para isto, separa os ingredientes e os coloca sobre uma mesa. Os ingredientes do bolo fazem o papel das premissas e a conclusão é o bolo já pronto. Note que não poderá faltar ingrediente (premissa) relevante para cumprir a tarefa de fazer o bolo (conclusão). Em outras palavras: ao olharmos para a mesa com os ingredientes, já teremos nela o bolo, bastando ao cozinheiro seguir a receita para concluí-lo. Nenhum ingrediente que não esteja sobre a mesa poderá fazer parte do bolo, ou seja, aquilo que não estiver nas premissas do argumento jamais poderá fazer parte da sua conclusão, em se tratando de argumento dedutivo.

Suponhamos que suco de laranja seja um dos ingredientes do bolo. Podemos, neste caso concluir (deduzir) que o bolo é de laranja. Ninguém que use os ingredientes que estão sobre a mesa dirá que o bolo pode ser de chocolate, pois chocolate não é um dos ingredientes disponíveis.

Resumidamente: nos argumentos dedutivos o raciocínio parte de premissas gerais para uma conclusão particular, conforme ilustra a figura a seguir.



2. Raciocínio Indutivo

No raciocínio indutivo (argumento indutivo), as premissas proporcionam somente alguma fundamentação da conclusão, que contém alguma informação que não está contida nas premissas, ficando em aberto a possibilidade de que essa informação a mais cause a falsidade da conclusão apesar das premissas verdadeiras.

Exemplo:

Um aluno chega à sua escola e, ao passar pela sala 1 percebe que ela foi pintada de azul. Observa que a sala 2 também foi pintada de azul. Ao passar pelas salas 3 e 4 percebe que ambas foram pintadas de azul, o mesmo ocorrendo com sua sala, que é a 5. Dessa forma, esse aluno conclui que todas as salas de aula da escola foram pintadas de azul. Entretanto, esse aluno não pode ter certeza de que isto está correto, visto que é uma generalização (inferência) baseada em alguns casos particulares (experiência).

Resumidamente: Raciocinar indutivamente é partir de premissas particulares, na busca de uma conclusão geral.

Podemos ilustrar o argumento indutivo como o funil invertido da figura a seguir.

3. Inferência

Alguns autores tratam a inferência como o ato ou processo de derivar conclusões lógicas de premissas conhecida ou decididamente verdadeiras. O processo pelo qual uma conclusão é inferida a partir de múltiplas observações é chamado processo dedutivo ou indutivo, dependendo do contexto. A conclusão pode ser correta , incorreta, correta dentro de um certo grau de precisão, ou correta em certas situações. Conclusões inferidas a partir de observações múltiplas podem ser testadas por observações adicionais.
[Fonte: Wikipédia]

Particularmente, vejo diferença entre o raciocínio dedutivo e a inferência. Vejamos um exemplo:

A figura abaixo representa um ônibus. O que se sabe é que ele está em movimento.


Pergunta-se: o ônibus está indo para a direita ou para a esquerda?

Comentários:

Note que aqui estamos com uma situação completamente diferente do exemplo do bolo... Lá, nossa tarefa se resumiu à identificação (leitura) dos ingredientes e o uso correto da receita para concluir a tarefa, visto que todos os ingredientes (premissas) estavam presentes.

Não é o caso da figura acima, em que o leitor necessita de "ingredientes" que não estão presentes no enunciado da situação-problema... Aqui precisaremos dar vários chutes ou praticar alguns achismos, se quisermos chegar a alguma conclusão. Dito de outra forma: precisaremos fazer inferências, como:

1. O ônibus está no Brasil, portanto sua porta (que está do lado oposto ao mostrado na figura) está na altura da roda esquerda da figura;

2. Como o enunciado diz apenas que o ônibus está em movimento, ainda precisamos de mais chutes para concluir... Se o ônibus estiver indo para a frente, a conclusão seria "para a esquerda". Se o ônibus estiver em marcha a ré, concluímos que está indo "para a direita";

3. Se o ônibus estivesse, por exemplo, na Inglaterra, todo o raciocínio feito anteriormente seria invertido...

Percebe-se que, neste caso, qualquer conclusão será válida, pois dependerá das inferências feitas pelo leitor. Como estas se baseiam unicamente na sua experiência e conhecimento, jamais poderíamos invalidar sua conclusão, qualquer que seja ela. Até mesmo quem responde que "não se pode tirar conclusão" estará correto.

Abraços e Sucesso!
Prof. Milton Araújo.

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Um comentário:

Lincoln disse...

Muito bom Prof. Milton, foi bem didático na explicação.
Obrigado!