terça-feira, 21 de junho de 2011

O Brasil está preparado para a janela do crescimento?

A maioria das empresas tem definida uma visão, uma estratégia, um leque de produtos e serviços, um posicionamento de mercado, mas nem todos estão preparados para responder perguntas como: a estratégia da empresa é executável? Tenho as competências necessárias para implantá-la?

Por Rogério Pedace, www.administradores.com.br

Fonte: http://www.google.com.br/imghp

Sem dúvida, vivemos no Brasil um momento de crescimento econômico, com grandes oportunidades para todos os setores da economia. Muitas das questões levantadas por anos como possíveis gargalos e dificuldades que enfrentaríamos hoje são uma realidade. Isso cria uma necessidade de correr atrás desses aspectos mais urgentes. Mas será que, além de "apagar os incêndios", estamos também com um olhar no futuro, nos preparando para esta janela de crescimento que, segundo especialistas, deve durar 20 anos?

A maioria das empresas tem definida uma visão, uma estratégia, um leque de produtos e serviços, um posicionamento de mercado, mas nem todos estão preparados para responder perguntas como: a estratégia da empresa é executável? Tenho as competências necessárias para implantá-la? E as pessoas certas? Estou aproveitando as oportunidades atuais? Também consigo manter um olhar sobre meu plano de negócio de médio e longo prazo?

O que vemos em muitas companhias são executivos gastando muito tempo com o alcance dos orçamentos anuais, algum tempo com os objetivos de médio prazo, mas muito pouco para as oportunidades reais de grande crescimento ou transformação do negócio.

Uma onda de grande centralização das decisões nas multinacionais trouxe um engessamento e uma miopia crônica para as operações de suas subsidiárias no Brasil. Do ponto de vista do acionista, há milhas oceânicas de distância, essa pouca autonomia assegurou maior consistência no alcance da rentabilidade e crescimento desejado. Mas também passamos a ter 9 em 10 empresas buscando dobrar em 04 ou 05 anos. Isso é muito? É desafiador para um mercado como o Brasil diante dessa janela de crescimento?

Parece que não! Os empresários brasileiros mais inteligentes e ousados já perceberam isso e estão trabalhando para ocupar esse espaço e tirar proveito dessa oportunidade. As multinacionais podem se arrepender daqui alguns anos dessa postura menos ousada.

Mas ainda vemos muitos empresários brasileiros acomodados num modelo de operação do velho Brasil, atuando no seu negócio conquistado pelo esforço individual do empreendedor. Se esse modelo não for alterado, a empresa corre sério risco de deixar de existir em 15 ou 20 anos, pois será superada por outra companhia mais ousada e moderna.

A concretização disso dependerá muito de gestores bem preparados e de uma infra-estrutura que suporte esse crescimento. Aí que o Brasil tem suas maiores carências. Não é assunto novo a questão dos problemas logísticos existentes no país, em relação a portos, aeroportos, estradas, todos eles amplificados pelas dimensões continentais do país. Mesmo que se invista muito, que PACs sejam implementados com sucesso e se consiga correr contra o tempo, faltam pessoas para fazer a gestão de toda essa infra-estrutura de forma eficiente.

Além do hardware, materializado em grandes obras de engenharia, nos deparamos com a falta do software, a mão-de-obra com a qualificação necessária para atender as exigências do atual cenário de negócios. Neste sentido, todos falam nos investimentos para a educação formal, mas ainda assim falta trabalhar as competências gerenciais e pessoais.

Ainda no que diz respeito ao software, a luz amarela acendeu não apenas aos jovens profissionais, mas também no "topo da pirâmide", em relação às lideranças. Levantamento de características do perfil das lideranças no Brasil, realizado na base de dados do Hay Group, apresentou resultados preocupantes. Os estilos de liderança mais utilizados pelos executivos brasileiros são: Democrático (66%) e Coercitivo (62%), e menos Dirigente (58%). Isso, combinado com a falta de clareza identificada na avaliação do clima gerado em suas equipes, demonstra uma realidade desafiadora para as Lideranças Brasileiras.

Dentro deste cenário, cabe às empresas a missão, não apenas de buscar saídas para resolver questões pontuais do presente, mas também ter muito clara sua estratégia. O que será necessário para atingi-la, o que precisará do país, em termos de pessoas, de infra-estrutura, de mercado, legislação, enfim, uma extensa lista de fatores, e trabalhar para que ao longo das próximas duas décadas seu negócio seja sustentável. E aqui vale o sentido mais amplo da sustentabilidade que passa por garantir que a empresa seja viável e possível ao longo do tempo.

Rogério Pedace - gerente do Hay Group, consultoria de negócios em RH.

Siga os posts do Administradores no Twitter: @admnews.
Siga o Prof. Milton Araújo no Twitter: @Milton_A_Araujo